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Aeroportos - A privatização dos petistas

Leilão dos aeroportos de Brasília, Cumbica e Viracopos gerou ágio médio de 347%


Antônio do Nascimento - Estado de Minas

Publicação: 18/02/2012 15:21 Atualização: 18/02/2012 15:56

Demorou nove anos para os petistas ortodoxos perceberem o óbvio (MARCIO FERNANDES/AE)
Demorou nove anos para os petistas ortodoxos perceberem o óbvio
Os petistas ortodoxos devem estar envergonhados com o resultado dos leilões na Bolsa de Valores de São Paulo em 6 de fevereiro.

O ágio auferido, apesar de contar com o peso dos fundos de pensão do Banco do Brasil (Previ), da Caixa Econômica Federal (Funcef) e da Petrobras (Petros), dá uma demonstração de quanto foi relapso o governo do ex-presidente Lula na solução dos problemas da infraestrutura aeroportuária brasileira.

O seu governo se vangloriou por trazer a Copa do Mundo de futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016 para o nosso país, mas não se preocupou com os encargos decorrentes. Nada podia fazer, pois pretendia usar as privatizações como motivação para manter o seu partido no poder. Agora a máscara caiu e os fatos evidenciaram o quanto estavam equivocados.

A outorga de rodovias no governo do ex-presidente Lula, tendo a menor tarifa de pedágio como critério de seleção, não seria a solução para o brutal investimento necessário na infraestrutura dos aeroportos. Os R$ 5 bilhões incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para revitalização dos aeroportos são um exemplo da falta de seriedade para enfrentar o problema. Entre as exigências constantes nos editais constava a necessidade de um investimento na ordem de R$ 16,3 bilhões. Um analista do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), em seminário realizado na capital, já citava que os R$ 5 bilhões seriam insuficientes.

Depois de um ensaio tímido em São Gonçalo do Amarante (RN), os leilões dos aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos/Campinas e Brasília(DF) foram substanciosos, gerando ágio médio de 347%. A quantia de R$ 24,5 bilhões superou em muito os R$ 5,482 bilhões do lance mínimo e guardadas as devidas proporções estava à disposição do governo desde 2003, quando o governo Lula optou por politizar a direção da Infraero, e, desde 2006, quando a demanda passou a emitir sinais inequívocos de crescimento forte.

O consórcio Invepar, vencedor do leilão do aeroporto de Guarulhos, formado pela empresa baiana OAS, pelos fundos de pensão e pela empresa administradora de aeroportos da África do Sul (ACSA), começa a esboçar as suas linhas de atuação, que entrarão em vigor a partir de maio. A construção de um terceiro terminal de passageiros para a Copa do Mundo preocupa a sua administração.

O consórcio vencedor do leilão do aeroporto de Brasília, formado pela Infravix (empresa do grupo Engevix) e pela argentina Corporation América, é o que menos investimento necessitará fazer, mas terá um retorno significativo com a nova tarifa de transbordo. Dos R$ 16,3 bilhões, investirá apenas R$ 2,8 bilhões. Coincidentemente a Engevix já tinha vencido o leilão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN).

Investimento pesado ocorrerá no aeroporto de Viracopos, R$ 8,7 bilhões. A disposição do executivo do consórcio vencedor de participar na construção de uma ligação ferroviária entre ele e a cidade de São Paulo é uma medida acertada. A área de Viracopos foi doada ao governo para a construção do principal aeroporto de São Paulo. A decisão do ministro da Aeronáutica, Délio Jardim de Matos, do governo do presidente João Figueiredo, de ceder parte da Base Aérea de Cumbica para a implantação do aeroporto de Guarulhos, contrariou os doadores.

Está sendo muito interessante ler os discursos de políticos petistas, que se envergonham de ter buscado nas privatizações os recursos necessários para a modernização de uma infraestrutura de décadas passadas. Alegam que o PT não privatizou, apenas cedeu em concessão a exploração de bens da União. Discussão infantil, pois cada governo adota uma estratégia para fazer frente aos problemas conjunturais. Agora, transferir o controle a um grupo privado só tem um nome: privatização.

O que deduzimos é que os petistas esclarecidos foram obrigados a buscar recursos para fazer frente a um problema emergente e se curvaram ao óbvio. As privatizações, além de alavancar recursos, servem para otimizar as estruturas administrativas, técnicas e operacionais. Muitas baixas ocorrerão nos quadros da Infraero e apenas os bons serão aproveitados por administrações de resultados.

Os petistas ortodoxos devem estar envergonhados com os resultados dos leilões, pois não souberam aproveitar o potencial do patrimônio da União nos oito anos de governo do ex-presidente Lula.

 

Público X Privado

Se alguém tem dúvida de que a privatização dos aeroportos só traz vantagens (com exceção dos corruptos, que se beneficiam com seus opacos contratos com terceiros), basta comparar os estacionamentos do aeroporto de Confins. Existem os localizados no próprio, administrados pela Infraero (ou por ela terceirizados) e outros – da iniciativa privada – a alguns quilômetros de distância. Quem para no do Infraero tem o carro castigado pelo sol e chuva (exceção do construído recentemente) e anda centenas de metros até o prédio principal do aeroporto. Quem para no administrado pela Minaspark tem o carro protegido, conta com serviço de lavagem e polimento, oficina para pequenos serviços mecânicos e vans gratuitas que levam os passageiros até o ponto de embarque. A única preocupação já demonstrada pelo estacionamento do Infraero foi colocar uma cínica placa alertando os usuários que não se responsabiliza por danos provocados por chuva de granizo. Apesar dos pesares, quem cobra mais? O do aeroporto, é claro. Alguem ainda acha que o governo tem competência para administrar seja lá o que for? 

Estacionamento do Aeroporto Internacional de Confins (Beto Novaes/EM/D.A PRESS)
Estacionamento do Aeroporto Internacional de Confins

Esta matéria tem: (8) comentários

Autor: Joao Costa Rosa
Depois de ler essa matéria tendenciosa e irresponsável, estou cancelando minha assinatura do UAI ( de mais de 05 anos ). Que me desculpem o Boris e o Camanzi, profissionais de verdade. | Denuncie |

Autor: Geraldo Clodomir Freitas Venancio
Na minha opinião o texto está confuso, sem clareza nas argunentações,muito mal elaborado, misturou muito os assuntos. Esclareço que não sou filiado a nenhum partido politico, mas me interesso pelos assuntos atinentes à nossa cidade e ao nosso país. Resumindo perdi meu tempo lendo esse artigo. | Denuncie |

Autor: Jorge Tocafundo
Antes do PT se fazia pouco e não se falava nada, depois do PT falam que fazem muito mas deixam de fazer o que faziam. No final é 'um monte de mesma coisa' só que o PT é mais competente pra piorar tudo o que era ruim e falar, falar e interromper 'trocentos' projetos, pacs e pre-sal! Tudo é RESTO! | Denuncie |

Autor: jota fer
Escritor, será que todos estes aeroportos foram construidos no governo Lula? Será que todos os problemas de infra estrutura do Brasil se originaram no governo Lula? Os problemas são fruto do crescimento do Brasil no governo Lula. Vocês querem é justificar suas privatarias. | Denuncie |

Autor: Alberto Rodrigues
É RIDÍCULO O ARGUMENTO DOS PTISTAS DIZENDO QUE CONCESSÃO NÃO É PRIVATIZAÇÃO. NA PRÁTICA É TUDO A MESMA COISA. VOCÊS JA VIRAM O GOVERNO NÃO RENOVAR UMA CONCESSÃO ? O PSDB MAIS CONCEDEU DO QUE PRIVATIZOU. TELEFONIA É CONCESSÃO, LAVRA DE MINÉRIO É CONCESSÃO. PAREM COM ISSO, NÃO SOMOS INOCENTES ÚTEIS! | Denuncie |

Autor: leonardo andrade
O cara que escreveu este texto odeia o PT. Deve ser da elite tucana!. Aliás, os tucanos são sócios da Daslu (que vende grifes da Europa sem pagar impostos - fazem descaminho). Curioso é que nas rodovias tucanas em SP o pedágio é 6 a 8 vezes mais caro que concessões de BRs do Gov.Lula! | Denuncie |

Autor: Marcelo Silva Marzano
Como pode a pessoa com uma vexatória deficiência de leitura recomendar qualquer tipo de manual? Releia o 9º parágrafo e não tente encobrir o verdadeiro tema com um discussão estéril acerca de terminologias. | Denuncie |

Autor: antonio anjos
Só uma pequena observação: CONCESSÃO NÃO É PRIVATIZAÇÃO. PRIVATIZAR É ENTREGAR DEFINITIVAMENTE. CONCEDER É RECEBER DE VOLTA APÓS O TÉRMINO DO CONTRATO. USE UM MANUAL DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA ESCREVER TEXTOS SOBRE O ASSUNTO. | Denuncie |

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